Vivemos uma era curiosa

Todos dizem buscar essência, profundidade, autenticidade. Mas, na prática, muitas decisões ainda são guiadas pelo que é visível, não pelo que é substancial.

Quando o Dōjō era maior, bonito, bem decorado, os alunos chegavam com facilidade. O espaço transmitia impacto, presença, importância. Hoje, em um local menor, mais simples, a procura diminuiu.

A pergunta desconfortável é inevitável:

O que realmente atrai as pessoas?

  • A qualidade do ensino?
  • Ou a percepção de valor?

Porque são coisas diferentes.

A mente humana sempre funcionou assim. Nós julgamos antes de experimentar. Criamos conclusões antes de compreender. Associamos aparência à competência, estrutura à autoridade, visibilidade à credibilidade.

Isso não é exatamente um defeito moral.

É comportamento humano.

Existe um conceito bem estudado na psicologia e no marketing chamado “sinalização” (signaling theory). Em ambientes onde não é fácil medir qualidade imediatamente, usamos sinais visíveis para inferir valor.

  • Um espaço bem estruturado sinaliza profissionalismo.
  • Uma presença ativa nas mídias sinaliza relevância.
  • Uma estética forte sinaliza autoridade.

Não é superficialidade pura.

É heurística cognitiva.

Nosso cérebro economiza energia tomando atalhos mentais.

Outro conceito importante é o de servicescape, o impacto do ambiente físico na percepção de serviços.

O local onde algo acontece molda a experiência psicológica do aluno.

Um Dōjō não é apenas um espaço.
É parte da mensagem.

E há ainda a força brutal da prova social.

Quando alguém vê um professor ativo, visível, comentado, compartilhado, o cérebro interpreta:

“Se muitos estão olhando, deve haver valor.”

Então talvez a questão não seja:

“As pessoas valorizam status em vez de qualidade.”

Mas sim:

“Qualidade sem percepção de valor existe socialmente?”

Porque, no mundo real, excelência invisível é frequentemente confundida com mediocridade.

Isso dói, mas é estratégico compreender.

A verdade incômoda é que competência técnica não comunica valor sozinha.

Um grande professor em um ambiente fraco parece menor do que é.
Um professor mediano em um ambiente forte parece maior do que é.

O ambiente, a estética, a comunicação, tudo isso compõe autoridade.

Não é vaidade.

É psicologia.

A reflexão mais produtiva talvez seja:

Não lamentar que o mundo funcione assim.
Mas entender como jogar o jogo sem trair a essência.

Porque estrutura não diminui profundidade.
Imagem não destrói substância.
Visibilidade não corrompe conhecimento.

Desde que o conteúdo permaneça sólido.

No final, a pergunta que fica não é sobre os alunos.

É sobre nós, professores:

Estamos esperando que o mundo reconheça valor… ou estamos aprendendo a comunicá-lo?


Shihan Galleni Junior

       

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